Escolha de representante no FMI causa revolta no partido de Alexis Tsipras
Polémica interna junta-se ao drama externo nas negociações da Grécia; Tsipras diz que a falta de acordo se deve a "propostas absurdas" dos credores.
Numa carta enviada ao primeiro-ministro e ao ministro das Finanças Yanis Varoufakis, cerca de 40 deputados do Syriza (Coligação de Esquerda Radical) criticaram a escolha de Elena Panaritis para o cargo, e pediram que fosse retirada. Panaritis foi membro da equipa de negociação com os credores da Grécia do Partido Socialista (PASOK) entre 2009 e 2012 – a equipa que assinou o primeiro memorando de entendimento com a troika. Enquanto deputada, Panaritis votou duas vezes a favor de medidas de austeridade.
“Uma representante de políticas pró-austeridade não pode representar o Governo”, argumentam os membros do Syriza. “Não é uma questão simbólica, mas política. É uma decisão errada e pedimos que seja retirada”, diziam os deputados na carta.
Panaritis é considerada próxima do ministro das Finanças Yanis Varoufakis (que não é do Syriza, embora tenha sido eleito deputado nas listas do partido nas eleições de Janeiro) e a escolha é assinada pelo ministro das Finanças. A especulação sobre os efeitos desta decisão levou o ministro a negar no Twitter, “pela enésima vez”, que a sua demissão estivesse próxima.
Enquanto isso, o primeiro-ministro, Alexis Tsipras, teve uma teleconferência com a chanceler alemã, Angela Merkel, e o Presidente francês, François Hollande, depois de se reunir, na véspera, durante oito horas com a sua equipa de negociação.
Num artigo de opinião no diário francês Le Monde, Tsipras defendeu-se das acusações de que o seu Governo está a ser intransigente nas negociações com a União Europeia e com o FMI. Diz que as propostas gregas ao Eurogrupo incluem um pacote de reformas e apresenta medidas aprovadas contra a corrupção que “estão a mudar coisas na Grécia”.
E devolveu a acusação de intransigência aos credores: “O facto de ainda não termos chegar a um acordo não se deve à suposta posição intransigente, sem cedências, e incompreensível da Grécia”, defendeu. “Deve-se à insistência de certos actores internacionais em submeter propostas absurdas e mostrarem uma indiferênça total à recente escolha democrática do povo grego.”
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